A UNIB destaca a importância do Espaço Pan-Iberiano ou da Iberofonia como um dos principais domínios da cooperação internacional no século XXI

04 de Junho de 2026
iberofonia-entrevista

A Universidad Internacional Iberoamericana (Universidade Internacional Ibero-Americana, UNIB), que faz parte da rede universitária da Fundação Universitária Ibero-Americana (FUNIBER) e em linha com o seu compromisso com a internacionalização académica e a cooperação entre os países de língua espanhola e portuguesa, destaca a participação da FUNIBER, representada pelo seu diretor de Relações Institucionais e da Cátedra de Estudos Ibero-americanos e da Iberofonia, Dr. F. Álvaro Durántez Prados, numa entrevista dedicada à análise do Espaço Panibérico ou da Iberofonia. Este espaço é composto por 30 países de língua espanhola e portuguesa e reúne cerca de 900 milhões de pessoas distribuídas pela América, Europa, África e Ásia. Durante a conversa, foram abordadas as oportunidades académicas, culturais e geopolíticas que este vasto espaço linguístico oferece, bem como o seu potencial para fortalecer a cooperação internacional num contexto global cada vez mais interligado.

A entrevista foi transmitida pelo meio de comunicação Intereconomía e conduzida pelo jornalista especializado em geopolítica Rafael Jiménez. Nela, o Dr. Durántez Prados analisou alguns dos principais fundamentos académicos que sustentam este conceito e a sua crescente relevância no cenário internacional.

O Espaço Panibérico como âmbito de cooperação global

Ao longo do encontro, foi destacado que o Espaço Panibérico, também conhecido como Espaço da Iberofonia, engloba cerca de trinta países de língua espanhola e portuguesa presentes em todos os continentes. Este espaço constitui um dos maiores conjuntos linguísticos e culturais do mundo, sustentado em duas línguas que partilham uma sólida base histórica e linguística e que apresentam o maior grau de compreensão mútua entre as principais línguas internacionais.

De facto, um dos aspetos mais relevantes abordados durante a entrevista foi precisamente a relação singular existente entre o espanhol e o português, consideradas as únicas grandes línguas internacionais mutuamente compreensíveis em termos gerais. Esta característica facilita a comunicação entre centenas de milhões de pessoas e favorece o desenvolvimento de intercâmbios académicos, científicos, culturais e económicos entre países de diferentes regiões do mundo.

Durante a conversa, explicou-se também que a combinação do espanhol e do português constitui o que diversos estudos consideram o primeiro bloco geolinguístico do mundo. A força deste espaço não reside apenas no número de falantes, mas também na ampla projeção internacional de ambas as línguas, oficiais em cerca de trinta países e nos principais organismos multilaterais da comunidade internacional.

Outro dos aspetos analisados foi a dimensão intercontinental da Iberofonia. Para além do quadro ibero-americano tradicional, este conceito incorpora os países de língua ibérica de África e da Ásia, ampliando as possibilidades de cooperação entre regiões que partilham importantes laços históricos, linguísticos e culturais. Neste sentido, destacou-se o papel estratégico da Ibero-África, constituída pelos países africanos de língua oficial portuguesa e espanhola (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe), bem como Timor-Leste na Ásia, países cuja crescente interação com a Ibero-América e a Península Ibérica contribui para fortalecer uma comunidade cada vez mais conectada.

A articulação do Espaço Panibérico, além de favorecer a influência e a visibilidade do conjunto dos países de língua ibérica e de cada um deles individualmente considerados, de impulsionar a cooperação e a concertação entre os mesmos e de fomentar uma cooperação multilateral de caráter horizontal e triangular, tem um quarto efeito especialmente relevante. O Dr. Durántez referiu-se à função equilibradora e compensatória do mundo hispanofone e lusófono num processo de globalização marcadamente determinado por padrões anglo-ocidentais e pela língua inglesa, o seu canal privilegiado de comunicação.

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FUNIBER, primeira plataforma universitária de âmbito pan-ibérico

A reflexão sobre a Iberofonia permitiu valorizar a trajetória da FUNIBER como primeira plataforma universitária de âmbito pan-ibérico. Desde a sua criação em 1997, a Fundação tem impulsionado a cooperação educativa, científica e cultural entre os países de língua espanhola e portuguesa, consolidando uma presença institucional em mais de 35 países e uma ampla rede académica que liga a América, a Europa, a África e a Ásia.

Esta vocação pan-ibérica reflete-se na atividade diária da Fundação, que desenvolve programas de formação, investigação e cooperação através de uma extensa rede universitária internacional. Graças a esta estrutura, a FUNIBER facilita o intercâmbio de conhecimento entre estudantes, docentes e investigadores de diferentes regiões do espaço iberofónico, promovendo um ensino superior com uma perspetiva global e intercultural.

A entrevista permitiu também destacar o papel da Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), instituição integrante da Rede Universitária da FUNIBER em Angola. Esta universidade constitui um exemplo significativo de integração académica entre o mundo hispanofone e lusófono, favorecendo a formação de profissionais num ambiente multicultural e fortalecendo os laços entre África e a Ibero-América.

Da mesma forma, foi valorizado o trabalho da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-americanos e da Iberofonia, um marco académico interuniversitário enquadrado na Rede Universitária Internacional da Fundação, concebido para promover a investigação, a formação e a divulgação em torno das relações históricas, culturais, linguísticas e geopolíticas dos países do Espaço Pan-ibérico.

Neste contexto, a FUNIBER continua a reforçar o seu compromisso com o estudo e a divulgação da Iberofonia através do recente lançamento de novos programas académicos especializados, entre os quais o Doutoramento em Estudos Ibero-americanos e da Iberofonia, o Mestrado em História, Geopolítica e Globalização da Ibero-América e da Iberofonia e a Especialização em História do Mundo Hispânico e da Iberofonia. Estas iniciativas visam oferecer uma formação avançada sobre a realidade histórica e contemporânea do Espaço Pan-Iberico, contribuindo para a geração de conhecimento e para o fortalecimento dos laços académicos entre as sociedades de língua espanhola e portuguesa.

A participação da FUNIBER em espaços de reflexão, como a entrevista aqui referida, reafirma o seu compromisso com o ensino superior, a cooperação internacional e a construção de pontes entre continentes. Através da sua atividade académica e institucional, a Fundação continua a impulsionar iniciativas que contribuem para uma maior articulação do espaço iberofónico, promovendo a compreensão, a colaboração e o desenvolvimento partilhado entre os povos unidos por uma herança linguística e cultural comum.

Pode visualizar a entrevista completa no seguinte link: