Leonardo Hernández, investigador da Universidad Internacional Iberoamericana (Universidade Internacional Ibero-americana, UNIB), participa no estudo «Environmental burden of fish in healthy and sustainable diets», que analisa o papel do peixe nas dietas saudáveis e sustentáveis, bem como o seu impacto ambiental em comparação com outros alimentos de origem animal.
A alimentação sustentável tornou-se um dos grandes desafios da saúde pública e dos atuais sistemas alimentares. A necessidade de garantir dietas nutricionalmente adequadas, acessíveis e respeitadoras do ambiente impulsionou novas investigações sobre o papel de diferentes grupos de alimentos na redução das emissões, na utilização dos recursos naturais e na preservação dos ecossistemas.
Neste contexto, o peixe é frequentemente recomendado como parte de padrões alimentares saudáveis devido ao seu aporte de proteínas de alta qualidade, ácidos gordos ómega-3 e outros nutrientes essenciais. No entanto, a sua incorporação em dietas sustentáveis requer a avaliação não só dos seus benefícios nutricionais, mas também da pegada ambiental associada à sua produção, captura, transformação e consumo.
Uma revisão sobre o papel do peixe na sustentabilidade
Estudos anteriores têm apontado que os alimentos de origem animal apresentam impactos ambientais variáveis. Em particular, as carnes vermelhas e processadas são frequentemente associadas a maiores emissões de gases com efeito de estufa, utilização de solo e consumo de água. Face a isso, o peixe e os produtos do mar têm-se apresentado como alternativas potencialmente mais sustentáveis, embora o seu impacto dependa de fatores como a espécie, o método de produção, a origem selvagem ou aquícola e as práticas de gestão utilizadas.
O estudo teve como objetivo sintetizar a literatura científica disponível sobre a pegada ambiental do peixe e a sua contribuição para dietas saudáveis e sustentáveis. Para tal, foi realizada uma revisão de estudos observacionais, análises da pegada ambiental e modelos de otimização alimentar. A partir desta abordagem, examinaram-se as variações do impacto ambiental do consumo de peixe no âmbito de diferentes padrões alimentares e em comparação com outros produtos de origem animal.
Menor impacto ambiental, com nuances
Os resultados mostram que o peixe representa, em geral, uma proporção menor do impacto ambiental total da dieta. Em comparação com a carne e outros produtos animais terrestres, muitos tipos de peixe tendem a gerar menores emissões de gases com efeito de estufa, bem como um menor uso de terra e água. Esta diferença revela-se especialmente relevante quando o peixe substitui carnes de maior impacto no âmbito de padrões alimentares equilibrados.
A revisão destaca também que vários modelos de otimização alimentar observaram reduções potenciais do impacto ambiental quando se substitui parte do consumo de carne por peixe ou quando se aumenta a sua presença em dietas concebidas para cumprir objetivos nutricionais. No entanto, os autores sublinham que estes benefícios não são uniformes e podem variar consideravelmente consoante o país, o tipo de dieta analisada e a espécie de peixe considerada.

Rumo a dietas mais sustentáveis
Além disso, o trabalho revela que algumas investigações detetaram aumentos nas emissões de gases com efeito de estufa associados a um maior consumo de peixe, especialmente em modelos que dão prioridade à qualidade nutricional. Isto evidencia a complexidade de conceber dietas que cumpram simultaneamente critérios de saúde, sustentabilidade ambiental e viabilidade alimentar.
Outra conclusão relevante é que o impacto do peixe depende em grande medida do sistema de produção. As espécies, os métodos de captura, as práticas de aquicultura, a utilização de rações, a eficiência produtiva e a gestão dos recursos marinhos podem alterar substancialmente a pegada ambiental final. Por isso, o estudo recomenda integrar o peixe de forma ponderada no âmbito de mudanças alimentares mais amplas, evitando generalizações e privilegiando opções de menor impacto sempre que possível.
Em conjunto, o estudo conclui que o peixe pode desempenhar um papel construtivo em dietas saudáveis e sustentáveis, especialmente quando contribui para melhorar a adequação nutricional e substitui alimentos de origem animal com maior pegada ambiental. No entanto, o equilíbrio ideal entre necessidades nutricionais e limites ambientais nem sempre é fácil de alcançar, pelo que é necessário continuar a investigar as diferenças entre espécies, sistemas produtivos e contextos alimentares.
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