A UNIB divulga um estudo que analisa como o consumo regular de peixe pode contribuir para preservar a função cognitiva durante o envelhecimento

22 de Maio de 2026
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A Dra. Carmen Lilí Rodríguez, investigadora da Universidade Internacional Ibero-americana (UNIB), participa num estudo internacional que analisa a relação entre o consumo de peixe e a função cognitiva em adultos e idosos. A investigação, publicada na revista científica GeroScience, analisa as evidências observacionais disponíveis e conclui que o consumo regular de peixe, normalmente uma a duas porções por semana ou mais, está associado a uma melhor preservação de diversas capacidades cognitivas durante o envelhecimento.

A deterioração cognitiva e as demências constituem um dos grandes desafios de saúde do século XXI. À medida que a população mundial envelhece, aumenta também a necessidade de identificar fatores modificáveis que ajudem a manter a saúde cerebral e a retardar a perda de funções como a memória, a atenção ou a velocidade de processamento. Neste contexto, a alimentação tem suscitado um interesse crescente como componente-chave da prevenção.

Nos últimos anos, diferentes padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânica, a dieta DASH ou a dieta MIND, têm sido associados a uma menor probabilidade de deterioração cognitiva e demência. Dentro destes modelos alimentares, o peixe tem sido considerado um alimento de especial interesse devido ao seu aporte de proteínas de alta qualidade, ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa, vitamina D, selénio, iodo e vitaminas do grupo B, nutrientes que participam em processos relacionados com a estrutura e a função cerebral.

No entanto, embora estudos anteriores já tivessem relacionado o consumo de peixe com uma menor incidência de deterioração cognitiva e demência, continuava a existir uma lacuna importante: faltava uma revisão centrada especificamente em como essa relação se manifestava em diferentes domínios cognitivos concretos. Neste contexto, este estudo responde precisamente a essa necessidade, ao sintetizar de forma sistemática a literatura científica observacional sobre peixe e desempenho cognitivo em idosos.

Resultados relevantes do estudo

Um dos aspetos mais relevantes do estudo é que oferece uma visão mais detalhada e matizada da evidência disponível. Os resultados mostram que as associações mais consistentes entre o consumo de peixe e uma melhor função cognitiva foram observadas na velocidade de processamento, na função executiva, na memória semântica e na capacidade cognitiva global. Estes domínios são especialmente relevantes, uma vez que costumam ser afetados tanto em processos neurodegenerativos como em formas de deterioração cognitiva ligadas a fatores vasculares.

Além disso, a revisão encontrou associações positivas para a memória verbal e a memória geral, embora, nestes casos, os resultados tenham sido menos uniformes e, em alguns estudos, tenham-se atenuado após o ajuste por múltiplas variáveis. Em contrapartida, as evidências foram mais inconsistentes em variáveis como o tempo de reação, o raciocínio verbal-numérico e algumas pontuações cognitivas compostas amplas, onde vários modelos completamente ajustados não encontraram associações significativas.

No conjunto, o estudo sugere que o consumo regular de peixe poderia fazer parte de uma estratégia alimentar favorável à saúde cerebral na terceira idade. No entanto, também se sublinha que as evidências não são totalmente unívocas, devido à heterogeneidade entre os estudos em termos de desenho, localização geográfica, tamanho da amostra e ferramentas de avaliação cognitiva. Por isso, é importante continuar a aprofundar esta linha de investigação com estudos futuros que permitam precisar melhor os efeitos de acordo com o tipo de peixe, a frequência de consumo e o perfil populacional.

Se quiser saber mais sobre este estudo, clique aqui.

Para ler mais investigações, consulte o repositório da UNIB.

Em linha com esta temática, a UNIB oferece o Mestrado em Saúde Pública, um programa académico orientado para formar profissionais capazes de enfrentar os problemas de saúde pública com uma visão global que lhes permita prestar serviços de saúde de qualidade.